Começamos bem o dia, tomamos o café e demos uma caminhada na praia pensando no que iríamos fazer, podíamos voltar dali, e a viagem já teria valido muito, ou esticar mais um pouco, os prazos ainda eram elásticos, estávamos fechando a primeira semana, tínhamos nos dado quinze dias antes de voltar ao trabalho, mas entre passar uma semana no inferno do Rio de Janeiro e ficar mais uns dias na estrada estávamos muito inclinados a ficar com a segunda opção.
Depois pedimos um peixe, nem lembro mais que nome que era, muito bom também, e eu resistindo a tomar uma cerveja, sequelado que estou das operações Lei Seca do Rio, lá na Bahia eles ignoram solenemente , a menos que você esteja tão bêbado que não lembre sequer seu nome, aí é bandeira demais e vai preso mesmo, tinha um cara sentado no restaurante que ficou tomando cerveja o tempo todo que estávamos lá, deve ter tomado umas três ou quatro, quando chegamos ele já estava enchendo a cara. Pagou saiu tranquilamente dirigindo, no dia que a Lei Seca chegar na Bahia vai ter guerra, podem apostar.
A réplica segue fielmente as proporções da época, então alguns lugares parecem apertados, mas é porque em média o europeu do séc XVI tinha uma estatura em torno de 1,50m, nós seríamos considerados gigante perto deles, com a média de 1,75m pra cima de altura.
Um relógio de sol.
Pedro Álvares Cabral, e seu brasão d'armas, consta que a família dele criava cabras, daí o nome Cabral.
Arraial D'ajuda
Depois de passearmos na história, fomos passear de barquinho, e levamos herbie junto, na balsa que vai para Arraial e Trancoso
A balsa começando a manobrar, o piloto era um artistas performático na arte de pilotar barco, só vendo, gravei só a metade do rolo que foi ele virar o rebocador pro lado certo pra gente conseguir sair do lugar.
Chegando no cais, descobri que o momento da atracação é o mais perigoso, recentemente um artista que manobra o rebocador que puxa a balsa conseguiu virar o barco quando estava chegando para atracar, só não levou a balsa junto porque os funcionários foram rápidos e soltaram os cabos, como já estava junto à rampa não afundou muito, se eu soubesse que corria esse risco juro que não tinha subido a bordo dessa coisa.
A saída da balsa é uma mistura de abertura da arena da corrida de touros de Panplona com uma largada em Mônaco, um monte de carro querendo sair rápido da balsa com um bando de gente aparvalhada atravesando o caminho.
O Centro de Arraial parece uma cidadezinha de brinquedo, é o que devia ser Porto Seguro 40 anos atrás, tranquila, mesmo com a turistada tava lá na dela, a verdade é que o nível do turismo aqui é mais alto, tem muita pousada sofisticada, mas também se vê muito mochileiro bicho-grilo pelas ruas, aliás, Trancoso é até perto dali, mas não dava pra ir no mesmo dia.
Conseguir vaga no entorno da praça não é fácil tive que esperar um bando de turistas nuns bugues alugados sairem pra conseguir estacionar aí.
Examinando o mapa pra tentar convencer a Deize que dava pra ir até Trancoso, vendo as distâncias me desanimei, já eram umas 4 da tarde.
A igreja pequenina de costas para o mar.
Mais um Cristo abraçando a praça vazia
Essa é a vista que se tem do mirante que fica atrás da igreja
Essa fonte tem uma história muito legal, quando foi fundado o vilarejo não tinha como se abastecer de água, conta a lenda que o padre rezou para N Sra da Ajuda, padroeira, para que ajudasse a encontrar um manancial de água e essa fonte surgiu embaixo do barranco onde foi erigida a igreja, coincidência ou não ela está lá até hoje minando água (só não sei se é potável)
A construção é data da década de 30.
Chega-se lá por esta escada, fica bem no centro histórico, não tem erro, vale a pena dar uma olhada, nas casas ao longo da escadaria moram uns remanescentes dos hippies dos anos 70 que ainda persistem por ali, acho que a maioria já se mandou pra Trancoso faz tempo.
Pegamos o carro em direção às praias, no caminho passamos pela famosa Rua Mucugê, uma espécia de Ruas das Pedras de Búzios versão baiana, segundo dizem é aqui que a noite ferve, mas não é pra qualquer um não, pela cara dos lugares é do tipo que cobra 6 reais por um café expresso, não parei nem pra tirar foto, fui andando. O que eu queria era praia.
Pra onde você ia ficava entre muros, só se via entrada para praia através de barraca, não tinha uma nesga de areia aberta. Tudo totalmente loteado.
Acabou a estrada, estreita e entre muros altos, nesse portão, daí não tinha mais caminho, tivemos que voltar
Pra onde você pensava em ir ou a estrada acabava em nada ou em muros, lugar estranhíssimo, ninguém em lugar nenhum. Chegamos em um cruzamento onde portões imensos e muito antigos fechavam as laterais das esquinas, era como se ninguém viesse ali a anos, deu um arrepio na gente, caímos fora.
Voltamos para a balsa, muito chateados, afinal de contas, o povoado é até bonito, mas todo aquele loteamento de praia doeu, aí lembramos o porque das pessoas deixarem o nordeste pra irem pro sul, para não terem de viver vendo essa desigualdade tão grande, ao mesmo tempo que o nordeste nos delicia com belas paisagens e um povo muito bacana ele também mostra essa faceta cruel do dinheiro que compra tudo e alija o povo mais humilde.
Observem aos 40 segundos do filme, o profissionalismo da empresa. Se eles fazem um cartaz assim imagine como cuidam das embarcações.
Deize narrando a nossa volta, eu sentado no capô do carro, p... dentro da roupa por não ter visto uma única praia, totalmente mode sarcástico mode on.
Acabamos o final da noite fazendo algo legal, pena que não registrei em fotos, no dia anterior, quando paramos o Herbie pra ir atrás dos acarajés, deixamos ele em frente a uma doceria, de doces portugueses! Imagina a vontade de voltar lá. Resolvemos aplacar nossa chateação com uma boa xícara de expresso com uns docinhos, pastéis de belém no caso, de um lado ficava a cafeteria, e do outro a fábrica, com uma vitrine onde se acompanhava todo o processo de fabricação.
O dono da loja é o mesmo dono da Casa Cavê aqui no Rio, e o garçon que nos atendeu, gentilíssimo, um pernambucano legítimo importado do Rio de Janeiro, onde trabalhava, levado para a nova filial, quando ele soube que nós viemos do Rio, e de Fusca, ficou encantado, disse que morria de saudade de lá, gente fina o garoto. Levamos uma caixinha com seis pastéizinhos, ainda bem que tem filial aqui no Rio pra quando bater a saudade.
Ah, sim, o momento ferrugem do passeio, achei essa Kombi, inteirona, considerando o uso (abuso) que o pessoal de lá faz com os carros de serviço e o nível de destruição que a salinidade do ar provoca na lataria ela estava até inteira.
E assim fechamos mais um dia, mas e agora? Voltar pra casa? Apertar o botão e ir até onde o dinheiro e o tempo desse? Resposta no próximo post.